Um número que incomoda
95% das partes de um carro podem ser recicladas. Metal, plástico, vidro, borracha — a maior parte pode voltar para a cadeia produtiva, gerar valor econômico e evitar impacto ambiental. A tecnologia para isso existe. O material está disponível. O potencial é real.
No Brasil, apenas 1,5% dos veículos chegam ao fim da vida útil com destino correto.
O resto vai para ferro-velho irregular, desmanches sem controle ou abandono em vias públicas e terrenos baldios. Sem documentação. Sem rastreabilidade. Sem destino comprovado. E sem que ninguém precise responder por isso.
Esse contraste entre o que é possível e o que acontece na prática não é exclusivo do setor automotivo. É o retrato do Brasil no gerenciamento de resíduos como um todo.
O problema nunca foi o material
O Brasil produz mais de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano. Recicla 4,5%. Perde R$ 120 bilhões anuais com reciclagem ineficiente ou inexistente. Ainda tem 3 mil lixões ativos recebendo toneladas de material que poderia voltar para a cadeia produtiva.
Não é falta de material reciclável. O Brasil tem material em abundância.
Não é falta de tecnologia. As soluções existem e estão disponíveis.
O problema é de gestão. E gestão no setor de resíduos significa uma coisa muito concreta: saber onde cada tonelada foi parar, ter o documento que comprova e conseguir apresentar essa informação quando o cliente, a auditoria ou o órgão ambiental pedir.
Quem não tem isso opera no improviso. E o improviso tem consequência ambiental, fiscal e comercial.
O mercado está cobrando essa conta
O cenário está mudando rapidamente. Clientes corporativos com metas de ESG precisam provar que o resíduo que saiu da porta deles não foi parar num lixão. Grandes indústrias estão incluindo cláusulas de responsabilidade ambiental em contratos de coleta. Órgãos ambientais estão intensificando as fiscalizações.
A pergunta que o mercado está fazendo não é mais “você destina corretamente?”. É “você consegue provar que destina corretamente?”
Essa prova se chama MTR. Se chama CDF. Se chama rastreabilidade disponível quando o cliente pedir — não três semanas depois, não em uma planilha desatualizada.
Empresas que chegam com documentação em dia e dados organizados fecham contratos maiores, retêm clientes com mais facilidade e se posicionam como parceiros estratégicos. As que ainda operam sem esse controle perdem espaço para quem chegou mais preparado.
O ponto de partida
O Brasil tem todo o material necessário para ser referência em reciclagem. O que falta é transformar intenção em sistema — e sistema em dado confiável.
Isso começa na ponta da operação: na rota que sai no horário certo, no MTR emitido antes da coleta, no CDF que comprova destino e nos dados organizados em cada etapa da cadeia.
O carro que o Brasil não sabe reciclar é só o exemplo mais visível de um problema muito mais amplo. A solução, no entanto, começa no mesmo lugar: tratar cada tonelada como se ela importasse. Porque importa.
(Fonte: Agência São Joaquim Online / Abrema 2025)


