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Liubliana: como uma capital sem coleta seletiva virou referência mundial em uma década

Até 2004, a Eslovênia não tinha um sistema nacional de coleta seletiva. Entre 2002 e 2008, o volume de resíduos gerados pelas cidades eslovenas cresceu 55%, e a maior parte do lixo domiciliar do país seguia direto para aterro. Foi nesse cenário que Liubliana, a capital, decidiu mudar de rota. Em 2014, tornou-se a primeira capital europeia a assumir formalmente a meta de zero waste, reduzindo em 95% o volume de resíduos encaminhado para disposição final e mantendo, ao mesmo tempo, um dos custos de gestão de resíduos mais baixos da Europa.

A virada não veio de uma tecnologia revolucionária

O caso de Liubliana costuma ser contado como história de inovação, mas o que sustentou a transformação foi mais simples do que parece. A cidade expandiu a coleta porta a porta, ampliou a coleta separada de orgânicos e, principalmente, passou a medir e acompanhar de perto o desempenho de cada etapa do sistema. Não foi uma solução única e definitiva. Foi ajuste constante, orientado por dado, ano após ano.

O plano da cidade estabeleceu metas claras e mensuráveis, como reduzir pela metade o volume de resíduos residuais e elevar a coleta seletiva a 78% até 2025. Meta sem indicador de acompanhamento não sai do papel, e foi justamente esse acompanhamento contínuo que permitiu à cidade corrigir rota ano a ano, em vez de esperar um resultado final incerto.

O que a experiência de Liubliana revela sobre gestão de resíduos

Três elementos aparecem de forma consistente na trajetória da cidade:

  • Meta clara e mensurável, não apenas uma intenção genérica de “melhorar a reciclagem”;
  • Indicador acompanhado com frequência, permitindo identificar rápido o que está funcionando e o que precisa de ajuste;
  • Continuidade, já que os resultados vieram ao longo de uma década de acompanhamento constante, não de uma ação isolada.

Nenhum desses elementos depende de grande investimento em tecnologia de ponta. Dependem de disciplina em medir, registrar e revisar o processo com regularidade.

Uma lição válida em qualquer escala

Empresas que operam coleta, tratamento e destinação de resíduos enfrentam versão menor do mesmo desafio que uma capital europeia enfrentou em escala de cidade: sem dado organizado e acompanhado de perto, não há como saber se a operação está de fato evoluindo ou apenas mantendo a rotina. A diferença entre estagnar e evoluir raramente está na tecnologia mais recente. Está em transformar o volume de informação que já existe na operação, coletas, prazos, contratos, faturamento, em indicador que alguém realmente acompanha e usa para decidir.

Liubliana não tinha coleta seletiva relevante há duas décadas. Hoje é referência mundial. A distância entre esses dois pontos foi percorrida com meta clara e dado acompanhado com constância, não com solução mágica.

(Fontes: Zero Waste Europe, EBRD Green Cities)

 

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