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O que os manguezais têm a ver com a sua operação

O ecossistema que poucos conhecem de verdade

Manguezal não é lama. Não é área improdutiva. Não é obstáculo para o desenvolvimento.

É o berçário do mar. Suas raízes abrigam 80% das espécies marinhas que se reproduzem nessas áreas — crustáceos, peixes, moluscos que abastecem a pesca artesanal de milhões de brasileiros. É também uma das estruturas naturais mais eficientes na proteção do litoral contra erosão, filtragem de poluentes e absorção de carbono.

O Brasil tem 1,4 milhão de hectares de manguezais — a maior área do mundo. Um patrimônio natural que poucos países têm o privilégio de possuir.

E já perdemos 25% dele.

Como o resíduo chega onde não deveria

A destruição dos manguezais raramente acontece de uma vez. Ela é gradual, silenciosa e quase sempre invisível até que o dano já seja irreversível.

Resíduo sólido descartado sem controle segue o caminho da água. Entra nos córregos, chega aos rios, avança pelos estuários e se acumula onde a maré encontra a floresta. Plástico, metal, efluente industrial sem tratamento — tudo que não teve destino rastreado encontra um destino por conta própria.

Globalmente, 67% dos manguezais já foram perdidos ou degradados. A poluição por resíduo é uma das principais causas — ao lado do desmatamento direto e da urbanização irregular. No Brasil, onde a fiscalização ainda é fragmentada e o descarte irregular persiste em escala, a pressão sobre esses ecossistemas é constante.

O que não foi rastreado não tem destino. E destino errado tem endereço — e esse endereço, muitas vezes, é um manguezal.

A conexão que pouca gente faz

Quem trabalha com coleta, tratamento e destinação de resíduos raramente pensa no manguezal como parte da sua operação. Mas a conexão é direta.

Cada tonelada com MTR emitido é uma tonelada que não vai para descarte clandestino. Cada CDF com destino comprovado é um volume que não vai seguir o caminho da água até um estuário. Cada rota documentada é uma operação que não contribuiu para a estatística de degradação ambiental.

A rastreabilidade não serve apenas para cumprir obrigação legal ou atender auditoria. Ela é o que garante que o resíduo pare onde deve parar — e não vá além.

Proteger começa antes da praia

A preservação dos manguezais não depende apenas de política ambiental, fiscalização ou consciência individual. Depende de como cada elo da cadeia de resíduos opera no dia a dia.

Quem organiza o fluxo, documenta cada etapa e garante destino correto ao que o mundo descarta está protegendo ecossistemas que nunca vai ver — mas que existem, em parte, por causa do trabalho que faz todos os dias.

Proteger manguezal começa muito antes da praia. Começa na operação.

(Fonte: WWF Brasil / Panorama dos Resíduos Sólidos — Abrema 2025)

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