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Resíduos hospitalares: um risco que exige controle total

Eles são invisíveis para a maioria da população, mas presentes em cada hospital, clínica, farmácia e até em consultórios odontológicos. Os resíduos hospitalares — seringas, agulhas, luvas, medicamentos vencidos, materiais biológicos — representam apenas uma fração do total de resíduos sólidos urbanos, mas seu impacto pode ser desproporcional.

Quando não recebem tratamento adequado, esses resíduos oferecem riscos diretos à saúde pública e ao meio ambiente, espalhando patógenos, contaminando o solo, a água e colocando em risco a segurança de trabalhadores e comunidades inteiras.

O que são resíduos hospitalares?

Também conhecidos como resíduos de serviços de saúde (RSS), incluem todo material descartado por hospitais, clínicas, laboratórios, farmácias e serviços de atenção à saúde humana e animal.

Eles são classificados em diferentes grupos:

  • Grupo A: resíduos com risco biológico (sangue, materiais com secreções, peças anatômicas).

  • Grupo B: resíduos químicos (medicamentos vencidos, reagentes, desinfetantes).

  • Grupo C: rejeitos radioativos.

  • Grupo D: resíduos comuns (sem risco biológico/químico, como papéis de escritório).

  • Grupo E: materiais perfurocortantes (agulhas, lâminas, bisturis).

Essa diversidade exige tratamento e destinação diferenciados, com alto grau de controle.

Por que eles são um risco?

O descarte inadequado de resíduos hospitalares pode gerar consequências graves:

  • Contaminação cruzada: patógenos podem atingir trabalhadores da saúde, coletores de resíduos e a população em geral.

  • Impacto ambiental: medicamentos descartados em redes de esgoto ou solos contaminam mananciais de água e afetam ecossistemas aquáticos.

  • Riscos químicos e radioativos: exigem protocolos rigorosos, já que pequenas falhas podem resultar em acidentes de grandes proporções.

Além disso, a falta de rastreabilidade expõe hospitais e gestores a sanções legais, multas ambientais e danos à reputação institucional.

O custo da má gestão

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15% dos resíduos gerados em serviços de saúde são considerados perigosos, mas quando não há segregação correta, esse percentual pode dobrar.

Na prática, isso significa maior volume destinado à incineração ou tratamento especial, elevando custos para hospitais e municípios.

Como prevenir os riscos.

Uma gestão responsável de resíduos hospitalares precisa de etapas bem definidas:

  • Segregação na fonte: separar resíduos no momento do descarte, em recipientes adequados e identificados por cor.

  • Armazenamento seguro: evitar contato com outros resíduos, mantendo recipientes lacrados.

  • Transporte licenciado: garantir que empresas especializadas façam o deslocamento até a destinação final.

  • Tratamento adequado: incineração, autoclavagem ou técnicas autorizadas pelos órgãos ambientais.

  • Rastreabilidade digital: monitorar todo o ciclo do resíduo com relatórios e evidências de conformidade.

Veja também: Desafios e Oportunidades na Gestão de Resíduos no Brasil.

Gestão hospitalar é também gestão ambiental

Hospitais e clínicas têm a missão de salvar vidas. Mas, sem uma gestão adequada de resíduos, podem acabar colocando outras em risco.

Implementar rastreabilidade, processos seguros e relatórios auditáveis não é apenas cumprir a lei: é garantir confiança, reduzir custos a longo prazo e proteger a saúde coletiva.

Porque no caso dos resíduos hospitalares, o menor erro pode custar caro — e a prevenção é sempre o caminho mais seguro.

Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS) | ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária | Ministério do Meio Ambiente

 

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