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Resíduos da construção civil: um gigante invisível nas cidades

Quando pensamos em lixo urbano, é comum lembrar de embalagens, sacolas plásticas ou restos de alimentos. Mas há um resíduo silencioso que movimenta volumes muito maiores e impacta diretamente o espaço urbano: os resíduos da construção civil.

De acordo com a Abrelpe, esse tipo de resíduo representa mais de 50% de todo o lixo sólido urbano gerado no Brasil. São milhões de toneladas de entulho, concreto, madeira, gesso e metais descartados anualmente, muitas vezes sem controle adequado.

O que são resíduos da construção civil?

São todos os materiais descartados em obras, reformas, demolições e escavações. Entre eles estão:

  • Entulhos de concreto e alvenaria

  • Restos de madeira, gesso e plástico

  • Metais e vidros quebrados

  • Solos e materiais de escavação

Segundo a Resolução nº 307/2002 do CONAMA, esses resíduos são classificados em quatro categorias:

  • Classe A: resíduos reutilizáveis ou recicláveis (ex: concreto, tijolos).

  • Classe B: recicláveis para outras destinações (ex: plásticos, metais, vidros, papelão).

  • Classe C: sem tecnologia viável para reciclagem.

  • Classe D: perigosos, como tintas, solventes e amianto.

Por que eles são um risco invisível?

Apesar do volume gigantesco, os resíduos da construção civil raramente são tema de debate público. Mas seus impactos estão em toda parte:

Espaço urbano: o descarte irregular em terrenos baldios e margens de rios ocupa áreas que poderiam ser utilizadas para lazer, moradia ou preservação.
Saúde pública: entulhos acumulados são focos para vetores de doenças, como o mosquito da dengue.
Infraestrutura: resíduos descartados em locais inadequados entopem bueiros e agravam enchentes nas cidades.
Economia: transportar, armazenar e recuperar áreas afetadas pelo descarte irregular custa milhões aos cofres públicos.

O impacto econômico e ambiental

Estudos indicam que o Brasil gera cerca de 84 milhões de toneladas de resíduos da construção civil por ano. No entanto, apenas uma parte desse volume é destinada de forma correta.

Em muitas cidades, a ausência de pontos de entrega voluntária e de fiscalização faz com que materiais ainda aproveitáveis sejam desperdiçados. Isso significa não apenas impacto ambiental, mas também perda de valor econômico, já que boa parte poderia ser reciclada ou inserida na cadeia produtiva.

Como prevenir os riscos

A gestão adequada dos resíduos da construção civil passa por práticas que combinam planejamento, fiscalização e tecnologia:

  • Planejamento de obra sustentável: prever destinação correta já na fase de projeto.

  • Pontos de entrega voluntária (PEVs): facilitar o descarte seguro da população e pequenas obras.

  • Reciclagem e reutilização: transformar resíduos de concreto em brita para novas construções.

  • Monitoramento digital: sistemas de rastreabilidade permitem acompanhar volumes e destinos, garantindo transparência.

Gestão responsável é também gestão estratégica

Tratar os resíduos da construção civil apenas como entulho é desperdiçar valor e correr riscos desnecessários.
Quando há rastreabilidade, monitoramento e destinação correta, o que antes era visto como problema se transforma em oportunidade para reduzir custos, gerar emprego e promover sustentabilidade urbana.

No fim das contas, o maior desafio não é lidar com o entulho — é enxergar além dele.

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Fonte: Abrelpe | CONAMA | CETESB | CNI

 

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