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Metano dos aterros: o impacto invisível do lixo no clima

Quando pensamos em poluição do ar e mudanças climáticas, o dióxido de carbono (CO₂) costuma ser o vilão mais lembrado. Mas existe um outro gás, muitas vezes ignorado, que tem impacto muito maior no aquecimento global: o metano (CH₄).

Liberado principalmente em aterros sanitários pela decomposição de resíduos orgânicos, o metano é 28 vezes mais potente que o CO₂ no efeito estufa. Invisível a olho nu e sem cheiro perceptível, ele se torna um dos maiores desafios ambientais ligados à gestão de resíduos.

O que é o metano dos aterros?

O metano é um gás gerado pela decomposição da matéria orgânica em ambientes sem oxigênio, como ocorre em aterros sanitários.
No Brasil, onde mais da metade dos resíduos sólidos urbanos é composta por orgânicos (restos de alimentos, podas, resíduos de feiras), esse processo acontece em grande escala.

De acordo com a Abrelpe, os aterros sanitários respondem por cerca de 15% das emissões de metano no país. O problema se agrava pela falta de aproveitamento desse gás, que muitas vezes é liberado diretamente na atmosfera.

Por que o metano é tão perigoso?

O impacto do metano vai muito além do aquecimento global. Entre seus principais riscos estão:

  • Clima: potencial de aquecimento global 28 vezes maior que o CO₂ em um período de 100 anos.

  • Saúde: altas concentrações em locais confinados podem causar explosões ou intoxicações.

  • Economia: o metano liberado sem aproveitamento é também energia desperdiçada, já que pode ser convertido em biogás e eletricidade.

Segundo a ONU, reduzir as emissões de metano é uma das formas mais rápidas de desacelerar o aquecimento global nas próximas décadas.

Como reduzir o impacto do metano dos aterros

Enfrentar esse problema exige combinar tecnologia, políticas públicas e conscientização. Algumas soluções incluem:

  • Compostagem de resíduos orgânicos: reduz a quantidade de material biodegradável enviado aos aterros.

  • Aproveitamento energético: captura do metano para geração de biogás, transformando poluição em energia limpa.

  • Monitoramento e rastreabilidade: uso de sistemas digitais para acompanhar volumes e identificar riscos.

  • Educação ambiental: incentivo à separação de resíduos na fonte para facilitar tratamentos alternativos.

 

Gestão responsável é também gestão estratégica

Ignorar o metano dos aterros é fechar os olhos para um dos gases mais nocivos ao clima. Enxergar esse problema como oportunidade significa transformar um passivo ambiental em fonte de energia, inovação e reputação sustentável.

No fim das contas, o impacto invisível do lixo pode ser reduzido com soluções visíveis, acessíveis e inteligentes.

 

Veja também

Fonte: Abrelpe | ONU | CETESB | Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)

 

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